“Fogos de artifício: tradição ou desrespeito ao próximo?” por Roberto Rossant

Coluna do Leitor

Estreia | Junho 2026. A partir de hoje, o Planeta Paz abre espaço para a voz da comunidade com a nova Coluna do Leitor. Um espaço de reflexão, opinião e diálogo, onde cidadãos podem compartilhar suas visões sobre temas que impactam nossa convivência e nossa cultura de paz.

Na estreia, o artista plástico Roberto Rossant nos convida a pensar sobre os fogos de artifício: seriam eles uma tradição legítima ou um desrespeito ao próximo?

Coluna do Leitor – Planeta Paz

Fogos de artifício: tradição ou desrespeito ao próximo?

Sempre que a seleção brasileira entra em campo, ou quando nossos principais clubes entram em disputa, o som dos rojões volta a ecoar pelos bairros de Campinas. Para muitos, é uma forma de demonstrar alegria e paixão pelo esporte. No entanto, é preciso refletir se essa comemoração, baseada no estampido dos fogos de artifício, ainda faz sentido diante dos impactos que provoca na vida de tantas pessoas e animais.

O barulho intenso afeta diretamente crianças, idosos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), pacientes hospitalizados e indivíduos com sensibilidade auditiva. Também causa grande sofrimento aos animais domésticos, que frequentemente entram em pânico, fogem de casa ou sofrem acidentes. A fauna silvestre (Bosque dos Jequitibás por exemplo), tão presente em diversas regiões de Campinas, também é prejudicada, com aves abandonando ninhos e animais ficando desorientados.

Não se trata de ser contra o futebol, contra as torcidas ou contra as comemorações. Celebrar uma vitória faz parte da cultura esportiva e da emoção que o esporte proporciona. A questão é encontrar formas de comemorar que respeitem o direito coletivo ao descanso, à saúde e ao bem-estar.

Hoje já existem fogos de artifício de efeito exclusivamente visual, capazes de proporcionar um espetáculo bonito sem causar o impacto sonoro dos rojões. Além disso, Campinas possui legislação que proíbe a utilização de fogos com estampido, demonstrando que o poder público já reconheceu os prejuízos causados por esse tipo de artefato.

Mais do que discutir a existência da lei, cabe perguntar: por que ela ainda é tão frequentemente desrespeitada, especialmente em dias de jogos e grandes comemorações? A resposta passa pela conscientização, pela fiscalização e, principalmente, pelo respeito ao próximo.

Vivemos em sociedade, e isso exige equilíbrio entre o direito de comemorar e o dever de preservar a tranquilidade e a qualidade de vida de todos. A verdadeira festa não precisa ser medida pelo barulho que produz, mas pela alegria que compartilha sem causar sofrimento.

Afinal, será que não chegou o momento de substituir o estampido pela consciência e mostrar que é possível comemorar com a mesma emoção, mas com muito mais respeito?

Roberto Rossant
Artista Plástico

Por Planeta Paz | Publicado em  22 de junho de 2026.

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